Sua empresa sabe quantos contratos estão com boletins de medição vencidos agora?

5 min de leitura
Profissional analisando boletins de medição e indicadores de gestão de contratos de serviços

A maioria das empresas responde não. E esse “não” está custando muito mais do que parece.

Nos últimos anos, em nosso trabalho com gestão de contratos de serviços, uma cena tem se repetido em praticamente toda grande empresa do Brasil: alguém da área financeira descobre, meses depois, que um fornecedor vinha cobrando incorretamente. Então começa uma corrida contra o relógio, com buscas em e-mails antigos, planilhas e aprovações que ninguém se lembra de ter concedido.

O processo de medição de serviços ainda é 100% manual em boa parte das empresas brasileiras. E isso tem um preço.

O ciclo que ninguém mede

Quando um fornecedor entrega um serviço, ele emite o Boletim de Medição (BM). A partir daí, começa uma corrida silenciosa: conferência pelo contratante, aprovação interna, geração da Folha de Remessa de Serviço (FRS), emissão da nota fiscal, lançamento no ERP e pagamento.

Em operações manuais, esse ciclo leva, em média, de 15 a 25 dias. Entre nossos clientes que utilizam o módulo de medição de serviços do B4YOU, o benchmark é de 6 dias.

Parece detalhe. Não é.

O que os dados mostram

O Hackett Group, referência global em benchmarking de processos financeiros, aponta que empresas com processos manuais de contas a pagar gastam, em média, US$ 11,83 por documento processado. Nas empresas de melhor desempenho, esse custo cai para US$ 1,77, quase sete vezes menos, com um ciclo quatro vezes mais rápido.

O APQC complementa o cenário: em processos manuais, quase um em cada quatro documentos gera retrabalho, erro de lançamento, dado inconsistente ou aprovação ausente. Nas operações de melhor desempenho, essa taxa cai para 5%.

A PwC, em seu estudo global sobre capital de giro, estima que empresas com ciclos de pagamento descontrolados pagam entre 1% e 3% do gasto anual em serviços na forma de penalidades, juros e correções contratuais.

Temos casos reais de clientes que pagavam pelo menos esses 3% e deixaram de pagar após reorganizar o processo.

Para uma empresa com R$ 500 milhões por ano em contratos de serviços, isso representa de R$ 5 milhões a R$ 15 milhões em risco todos os anos, silenciosamente.

Por que o Brasil é ainda mais sensível a esse problema

No Brasil, a complexidade é tripla: fiscal, contratual e operacional.

Do lado fiscal, a Receita Federal pode auditar operações de serviços retroativamente por até cinco anos. Sem rastreabilidade ponta a ponta, do BM à nota fiscal e da nota fiscal ao pagamento, qualquer auditoria exige uma reconstrução manual de evidências. E isso tem custo.

Do lado contratual, os contratos de serviços costumam definir prazos para conferência do BM, devolução da FRS e autorização de pagamento. Se o contratante não cumpre esses prazos, o fornecedor pode cobrar as penalidades previstas. Se o fornecedor descumpre suas obrigações, o contratante também pode exercer seus direitos, mas muitas vezes não o faz porque não tem visibilidade.

Do lado operacional, o volume cresce e a equipe não acompanha. O que funcionava com 100 contratos começa a travar com 250.

Os três gatilhos que mais geram multas

Na prática, três situações concentram a maior parte das penalidades relacionadas à medição de serviços:

  1. Atraso na conferência do BM. O contrato define um prazo, mas o boletim entra em uma fila de e-mails e fica esperando a pessoa certa ter disponibilidade. O prazo passa e a multa é devida.
  2. Atraso na devolução da FRS. Após a conferência, o contratante precisa devolver a Folha de Remessa de Serviço para o fornecedor emitir a nota. Sem visibilidade sobre quem aprovou o quê, o documento circula por dias. A nota fiscal atrasa e o pagamento também.
  3. Atraso de pagamento por falha de processo. Não é má-fé. Pode ser o pedido que não foi criado a tempo, o lançamento feito no período errado ou a aprovação parada na caixa de e-mail de alguém em férias. O resultado é o mesmo: juros, multa e desgaste com o fornecedor.

A pergunta que muda a conversa

Quando pergunto aos gestores de contratos se eles sabem quantos contratos estão com boletins de medição vencidos e aguardando conferência naquele momento, a resposta quase sempre é não.

Esse “não” é o ponto central da dor. Não porque as pessoas deixem de fazer o trabalho, mas porque o processo não foi desenhado para oferecer essa visibilidade.

Sem visibilidade, não há controle. Sem controle, não há compliance. E, sem compliance, o risco se acumula silenciosamente até aparecer em uma auditoria ou em um e-mail do jurídico do fornecedor.

Na prática: o que muda quando o ciclo cai de 20 para 6 dias

Reduzir o ciclo de medição não representa apenas ganho operacional. Essa mudança desbloqueia diferentes vetores de valor ao mesmo tempo:

  • Faturas processadas dentro do prazo contratual, com multas evitadas.
  • Visibilidade sobre responsáveis e atrasos, permitindo aplicar o SLA corretamente.
  • Rastreabilidade completa para auditorias com evidências organizadas.
  • Capacidade de absorver mais volume sem ampliar a equipe.

Uma operação que atendemos passou de 800 para 2.000 medições por mês sem contratar uma pessoa a mais. O resultado veio da automação do processo realizada em seis meses.

Não é sobre tecnologia. É sobre controle.

A discussão sobre medição de serviços no Brasil ainda se concentra muito em perguntas como “precisamos de um sistema?” ou “quanto custa implementar?”. Essa perspectiva precisa mudar.

A pergunta certa é: quanto está custando não ter controle?

Para a maioria das empresas que já fez essa conta, a resposta foi surpreendente.

Sua empresa tem visibilidade do ciclo de medição hoje? Converse com a Fourtrust para entender como reduzir atrasos, retrabalho e riscos com um processo mais controlado e rastreável.

Rodrigo Medri
Sócio executivo de Operações na Fourtrust Consultoria
Rodrigo Medri é sócio executivo de Operações na Fourtrust Consultoria. Atua na transformação de processos de gestão de contratos, fornecedores e medição de serviços, combinando visão de negócio, experiência operacional e tecnologia aplicada ao ecossistema SAP.
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Apresentamos o caso da Samarco Mineração, uma joint venture da Vale e da BHP Brasil, que passou por um processo de Transformação Digital para otimizar suas operações. Por meio da digitalização completa do processo de medição mensal de serviços, utilizando o SAP e a automatização de tarefas, a Samarco obteve ganhos significativos em produtividade e eficiência, além de uma economia estimada em mais de R$ 2 milhões por ano. Descubra como a Transformação Digital impulsionou a Samarco rumo à excelência operacional e por que essa abordagem pode ser interessante para outras empresas do setor.

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